MUSEU IDEALIZADO POR LUIZ GONZAGA PASSA POR DIFICULDADES PARA SE MANTER

Mantido apenas pelo valor das entradas, o ambiente histórico precisa de reparos com altos orçamentos

Visionário, Luiz Gonzaga era um homem que pensava no futuro. Ainda em vida, e com carreira já consolidada, comprou uma fazenda com terreno de 1.500 hectares em Exu, cidade onde nasceu. A ideia do sanfoneiro era construir um complexo turístico onde as pessoas pudessem entender os passos da trajetória musical. “Ele tinha muitos planos, mas é complicado porque a cidade aqui é muito pequena, não tem movimentação de turistas. Exu não oferece muitas atrações”, aponta Clenilse Parente, coordenadora da ONG Parque Aza Branca, responsável por cuidar das instalações onde fica o museu do Rei do Baião.

Em entrevista por telefone ao projeto Ser Tão Forró, Clenilse relembra que a movimentação maior acontece quando se aproxima a data de falecimento de Gonzaga, em 2 de agosto. A coordenadora também resgata que, em 2012, ano que o nordestino faria 100 anos, o movimento foi muito grande. “Durante alguns anos conseguimos ficar operando e fazendo reparos com o que arrecadamos naquele ano, mas já não é mais suficiente”, reitera.

O parque exige a contração de nove funcionários para ocupar funções variadas, entre elas a de auxiliar de serviços gerais. Atualmente o museu se mantém exclusivamente com o valor das entradas pagas por turistas. Quem quiser conhecer mais da obra do pernambucano irá pagar R$ 8 (inteira) ou R$ 4 (meia).

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Entre as atrações está uma réplica da casa de reboco onde ele nasceu, além de rico acervo com sanfonas, sandálias, gibão de couro e chapéus usados por Luiz. O filho, Gonzaguinha, também mandou construir um mausoléu onde Gonzaga está sepultado junto com sua primeira mulher, Helena. Outro espaço que pode ser visitado é a casa onde ele morou, que mantém móveis e estética preservados. “O antigo casarão onde ele morou tem uma rachadura muito grande. Já chamamos um engenheiro para avaliar, mas o orçamento é muito caro. Não temos condições de pagar”, explica.

Os planos de Luiz Gonzaga eram ambiciosos. O sanfoneiro construiu duas pousadas dentro do parque, que futuramente daria lugar a um hotel. Cada uma levava o nome de seus pais, Santana e Januário. Ainda em vida, Gonzaga usava os quartos para hospedar para amigos, convidados, integrantes da produção dos shows e os primeiros turistas que se interessavam em conhecer um pouco mais de sua vida.Após o falecimento do pernambucano, o projeto foi engavetado. Por anos, as pousadas estiveram abertas ao público em tempo integral. Atualmente, as atividades são retomadas somente durante a “Festa da Saudade” e a “Viva Gonzagão”, comemorações que rememoram o legado da figura famosa da Cidade. “Até as festas diminuíram. Antes eram cinco ou seis dias de festa, com vários artistas convidados. Hoje, já não conseguimos fazer tanto movimento”, desabafa Clenilse.

Ainda segundo a coordenadora, que está à frente das atividades administrativas há 20 anos, a ONG não recebe nenhum subsídio governamental para viabilizar um melhor funcionamento do parque. “Às vezes aparecem algumas empresas, mas como nós não temos direito autoral sobre a imagem do Luiz Gonzaga, as empresas acabam esmorecendo”, pontua. Hoje, os direitos autorais do artista são resguardados por uma das filhas de Gonzaguinha.